Talvez hoje tenha me visto completamente sem amigos e sem nada que me fizesse querer continuar vivo. Estranho, pois logo agora que estou em um emprego bacana me sinto tão sem vontade de nada.
Talvez seja a depressão, o meio maço de cigarro por dia, a obesidade e a solidão da pandemia que tenham afetado os meus quereres, porém também não consigo me recordar da ultima vez que estive realmente feliz.
Talvez quando consegui esse novo emprego? Acho que fiquei aliviado e não feliz.
Talvez quando estava no meio de São Paulo sem ninguém conhecido por perto e completamente sozinho e independente? Talvez sim.
Talvez voltar para casa ou para perto dos antigos colegas e amigos me trouxe toda a carga de tudo que um dia eu deveria ter evitado falar ou demostrar. Abrir a minha vida como um livro para todos é um péssimo habito e que causa arrependimentos.
Talvez a palavra não dita seja a mais certeira, mas talvez isso seja um ato covarde.
Talvez eu deva sair por ai quando acabar essa pandemia. Talvez sumir por um mês ou dois. Talvez eu deva cortar o cabelo, pintar as unhas, tomar um ice americano vendo o céu azul das 8 horas. Talvez eu deva apenas me deixar pra trás e procurar novas pedras para carregar, pois as antigas além de pesadas são monótonas.
Talvez eu me reinvente ou talvez eu fique na mesma merda que me encontro agora.
Talvez eu tome um rivotril e durma até amanhã sem pensar nos amanhãs.
Talvez eu realmente desista de mim ou talvez eu tente fazer a diferença.
Talvez não me sinta feliz agora. Talvez não me sinta completo ou querido. Talvez a única coisa que sinto falta é da total não obrigação que eu senti naquelas semanas em SP onde eu só fui eu sem precisar agradar ninguém.
Talvez aquele era eu.
Talvez eu deva um dia voltar a ser aquele.
Por hoje ficarei com o rivotril.

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